N/A: Músicas que me ajudaram: Same Mistakes (James Blunt),
Goodnight, goodnight (Maroon 5).
N/A²: Contém NC
Tonks abriu os olhos e rapidamente fechou-os de novo com um gemido.
Sua cabeça doía desesperadamente, algo pesado pressionava suas
costelas e com certeza havia algo errado com seu braço. Tentou
sentar, sem sucesso, voltando a deitar enquanto o mundo girava. Ouviu
passos e logo a figura de Molly Weasley entrou em seu campo de visão.
A senhora trazia uma xícara e uma expressão preocupada no rosto
redondo.
- Oh Tonks, querida, como se sente? Tive que dar um jeito nas suas
costelas, mas imagino que ainda vão doer por alguns dias. Aqui,
tome. - Ela lhe ajudou a tomar o conteúdo da xícara. Era amargo e
estranhamente gelado. Tonks tremeu.
- O que... Remo... onde...
- Calma, calma. - Molly sacudiu levemente a xícara para dissolver o
que ficara no fundo - Remo está com Sirius e Dumbledore na cozinha,
parece que algo deu errado não?
Tonks tentou se lembrar dos detalhes, mas tudo era uma confusão de
cores flamejantes e dor.
- Sim, alguém sabia que estávamos ali... Fomos surpreendidos...
Molly comprimiu os lábios.
- É, foi o que eu ouvi também. - a bruxa tornou a oferecer a xícara
- Vamos, termine sua poção e descanse, não há nada a fazer agora.
Antes que a mulher pudesse se levantar, Tonks segurou sua mão.
- Molly... tem certeza que Remo está bem... Eu ouvi um grito.
A ruiva olhou-a com docura.
- Sim querida, tenho certeza.
Tonks assentiu e deixou que a poção fizesse seu efeito, sentido uma
dormência se espalhar por seu corpo a partir das costelas.
Lentamente começou a compreender os fatos da noite anterior. Foram
surpreendidos por Comensais da Morte, o grito que ouvira não era de
Remus... Ela foi atingida por algum tipo de feitiço que quebrou suas
costelas e fez alguma coisa com sua cabeça. Devo ter machucado o
braço quando caí, pensou antes
de imergir num sono sem sonos.
Remo sentou-se ao lado de Tonks, observando-a enquanto ela estava
dormindo sob o efeito da poção que Molly fizera. Por um momento, em
meio a tantos feitiços, chegara a pensar que ela estava perdida para
ele; até sentir sua respiração fraca. Nunca se agarrara com tanta
força a algo tão frágil como naquela noite, nem entendia por que
se importava tanto com Tonks.
Claro que gostava dela, afinal era sua parceira de missões,
integrante da Ordem, um bruxa fantástica e ainda tinha aqueles olhos
que... Ele fechou os olhos por um momento. Como? Estava mesmo
pensando nisso? Lembrou-se da ultima vez que se apaixonara e
suspirou. Não, não podia deixar acontecer de novo, Tonks não podia
ter o mesmo final que McKinnon...
A moça abriu os olhos lentamente e olhou para ele. Um sorriso
espalhou-se por seu rosto, fazendo com que o coração de Remo
falhasse uma batida e algo quente surgisse dentro dele. Ela se sentou
com dificuldade, recostada nos travesseiros.
- Remo... Você... está bem? - ela tinha dificuldade para falar e
Remo imaginou que devia ser por conta das costelas fraturadas.
- Estou ótimo. Você é a doente por aqui.
Ela ensaiou uma risada que a dor logo transformou em uma careta.
- Eu ouvi um grito, pensei que fosse seu. - Tonks fechou os olhos -
Fui te ajudar e então tudo apagou.
Remo assentiu.
- Dolohov acertou minha perna de raspão. - Ele mostrou um corte
quase cicatrizado na panturrilha - Não devia ter se distraído, era
um ataque e pessoas gritam em ataque.
Tonks torceu o nariz.
- Não foi apenas um grito, foi o
seu grito que me
distraíu. - Ela tentou arrumar-se nas almofadas e o braço machucado
lembrou-a de sua existência - Quando foi que eu machuquei o braço?!
- Algum feitiço de corte. Molly colocou um pouco de ditamno e
enfaixou para que você não ficasse olhando demais para o machucado.
- Remo sorriu para a bondade da bruxa.
Tonks ficou em silêncio por um momento.
- O que Dumbledore disse? O que aconteceu com o pessoal da fazenda?
Eles foram tão bons com a gente, espero que não tenham se
machucado.
- Um esquadrão já foi até lá e apagou a memória deles, a casa
foi reconstruída como se nunca ninguém tivesse se hospedado lá.
Ela assentiu com o coração mais leve. Sentiu o olhar de Remo sobre
si e olhou para ele, hesitante. A proximidade dele só fazia com que
respirar fosse mais dificil, suas costelas doíam ao encarar os olhos
dele. Olheiras eram a marca registrada do homem, junto com seus
cabelos castanhos com alguns fios brancos e marcas de expressão ao
redor da boca e na testa. Era um homem bonito ainda, com um tipo de
charme que não chamava tanto a atenção quando o de Sirius, mas
ainda assim atraente de algum modo.
- Dumbledore quer que você fique uns dias sem se arriscar, precisa
melhorar antes de partir para outra missão. - continuou Remo - E
também acha prudente que suas proximas missões sejam menos... de
campo.
Aquilo despertou-a de seu torpor.
- Como assim?! Ele quer que eu ajude Molly na cozinha?!
- Não foi isso que eu disse.
- Não precisa, eu entendi exatamente o que você disse. - Ela estava
novamente furiosa - Qual foi o motivo? Por acaso ser ferida em missão
agora significa que sou incompetente? Então mandem Moody embora por
que ele tem mais cicatrizes do que todos nós juntos.
- Ninfadora...
- NÃO me chame de Ninfadora! - Ela gritou com ele. O esforço fez
com que levasse uma das mãos ás costelas, claramente com dor. - Eu
vou sair em missões, queira Dumbledore ou não, por que foi para
isso que eu me dediquei durante três anos da minha vida, sem contar
os anos de Hogwarts.
Remo olhou-a, cansado. Os cabelos vermelhos dela eram mais uma forma
de reforçar a raiva que ardia dentro de Tonks. Intimamente, ele
concordava com Dumbledore: ela não podia se arriscar enquanto
estivesse debilitada e não seria prudente que continuasse em missões
com ele. Em parte por que lidar com lobisomens requeria um bruxo com
mais experiência e em parte por que, bem, era melhor manter uma
distância saudável entre eles.
- Só estou passando o recado de Dumbledore. - respondeu o homem
pegando uma xícara no chão - E Molly disse para tomar mais uma
dessas quando acordasse.
- Não vou tomar nada. Vocês estão
me apagando para tomar decisões sobre mim sem me consultar. - Ela
olhou feio para ele. - E eu sei que você concorda com Dumbledore,
acha melhor eu ficar com Kingsley, assim ele pode me proteger.
E quer ficar longe de mim
também.
A supresa de Remo não passou tão despercebida quanto gostaria.
- É, eu sei disso também. - Ela o encarava - Não quer ficar perto
de mim por que Remo?
Ele olhou para ela sem saber o que dizer ou fazer. Teria sido tão
óbvio assim?
- Não sei de onde tirou essa idéia, Tonks - ele se levantou - Tome
sua poção ou Molly vai me azarar.
- Vai fugir de novo, Remo? - Ela já não olhava para ele. - Quando
vai parar de fingir que não há nada acontecendo?
Ele hesitou na porta, sem coragem para olhar de novo para ela, por
que se fizesse isso...
- Não sei do que você está falando - murmurou antes de sair
apressado.
Tonks fechou os olhos, lutando contra a vontade de gritar.
Os dias se arrastaram na velha casa dos Black. O jantar geralmente
recebia visitantes da Ordem da Fênix e era assim que Tonks ficava
sabendo do que acontecia no mundo bruxo. Certa vez Severo Snape
perguntou por que ela insistia em ficar na casa que apenas reforçava
a decadência da familia da sua mãe.
- Não vou colocar meus pais em risco, Severo. - respondeu
simplesmente, segurando a manga das vestes de Sirius para impedi-lo
de avançar no velho inimigo.
A verdade era que apenas na Ordem ela podia realmente saber as
verdades sobre as missoes que nao estava participando e ver Remus com
mais frequencia. Certo dia, quando suas costelas ja estavam quase
perfeitas, ela estava literalmente bisbilhotando por um quarto cheio
d obras de arte quando foi supreendida por ele, fazendo com que quase
derrubasse um vaso de ceramica aparentemente muito antigo.
- Pelas barbas de Merlin, Remo! - exclamou paralizada - Podia se
anunciar, ao menos? Quase eu infarto...
- Desculpe, pensei que tivesse ouvido o que eu estava falando.
Ela olhou para ele.
- Você estava falando?
Ele assentiu. Tonks sentiu-se idiota.
- Bom, eu... não ouvi.
Remus riu pelo nariz e foi até ela com as mãos nos bolsos, deixando
que a porta se fechasse sozinha. Pegou o vaso e colocou-o de volta no
lugar, roçando levente seus dedos nas mãos de Tonks.
- Os Black eram amantes das artes, apesar de tudo. Acredito que esse
amor tenha sido mais forte do que o claro preconceito com os trouxas.
- Disse Remo indicando alguns quadros estáticos.
- Na verdade, todas essas obras foram compradas pelo tio Afardo. -
Remo levantou as sobrancelhas. - Sirius me contou dessa sala, então
eu saí para procurar.
Ele assentiu, observando os quadros. O quarto ainda abrigava uma
grande escrivaninha de canto, sua cadeira e um armário antigo de
mogno com detalhes dourados. A tensão era demais para Tonks
suportar, e então teve que fazer a unica coisa que poderia aliviar a
atmosfera pesada da sala. Aproximou-se de Remo, tocando seu ombro
para que ele olhasse para ela. E o beijou.
O que aconteceu em seguida nenhum dos dois poderia ter adivinhado e
se alguém lhes tivesse dito, não acreditariam.
Remo puxou-a para si com um gemido abafado que fez o corpo de Tonks
se arrepiar até onde ela nunca teria imaginado, beijando-a com um
desejo que tinha guardado para si durante meses. Suas mãos frias
entraram por debaixo da camiseta trouxa que ela usava para
encontrarem uma pele em brasa, levando a moça a um estado de quase
inconsciência. Ela gemeu quando ele apertou um de seus seios e puxou
os cabelos dele exigindo mais e mais contato.
O tempo já não existia e no momento seguinte ele estava dentro dela
contra a escrivaninha velha, erguendo-a alguns centimetros a cada
estocada. As costas de Remo mostravam linhas por onde as unhas de
Tonks tinham passado e as pernas dela mostravam pequenos lagos
vermelhos onde ele tinha afundado os dedos. Ele nunca tinha se
sentido tão vivo em anos, o corpo dela lhe tirou toda a razão, o
gosto de sua pele, o calor que ela emanava, tudo parecia contaminar
Remo. Um tipo de contaminação que não tinha mais volta, estava
infectado. O chão veio até eles em algum momento.
Assim como começou, tudo terminou em gemidos, calor e arquejos.
Tonks abraçou Remo como se temesse que ele fosse desaparecer como
fumaça. Ele deslizou as mãos pelas costas dela, respirando com
dificuldade, sua consciencia retornando aos poucos. Percebeu onde
estavam e como estavam: Tonks sobre ele, no chão coalhado de poeira
e papel rasgado, seu suor misturado ao dele, seus cabelos ondulados e
castanhos caindo espalhados sobre seu peito.
- Seu cabelo é castanho? - perguntou Remo brincando com uma mecha
dela.
- Minha mãe diz que essa era a cor que tinha, antes que começasse a
mudar - Ela respondeu sem se mexer. - não gosto muito, é tão...
- Eu gosto.
Tonks olhou para ele embevecida. Os olhos de Remo tinham um brilho
que ela nunca tinha visto, uma calma e entrega que nunca poderia
imagina que existisse ali. Sorriu para ele antes de beijá-lo com
calma, temerosa de estragar aquele momento. Ele sorriu e passou a mão
pelo rosto dela, hipnotizado. O cheiro de carne assada despertou seus
sentidos adormecidos.
- Molly deve estar nos procurando. O almoço está servido a algum
tempo já.
- Como você sabe?
- Eu vim te chamar para almoçar, antes de ser atacado.
Ela riu abertamente, abraçando-o mais. Sentiu que ele suspirava e
fechou os olhos, tentando guardar o máximo que podia. O cheiro dele,
o gosto de seu beijo, o modo como tinha retirado as roupas dela, o
fogo dentro de seus olhos. As mãos dele sairam de suas costas e
pressionaram levente seus ombros. Tonks lutou contra as lagrimas.
Teria tempo para se lamentar depois.
- Tonks... precisamos ir...
- Não precisamos, mas você quer. Então vamos. - disse Tonks
sentando-se e apanhando o soutien do chão.
- Tonks, você... você sabe que não pode ser. Sabe que é perigoso,
eu não devia.. nós não deviamos...
- Remo, me ouça com muita atenção. - Ela vestiu o jeans que
apontou o dedo para ele. - Você está colocando obstáculos
onde não existe nenhum, você está destruindo a melhor coisa
que já aconteceu entre nós, por que você tem medo de algo
que não oferece perigo.
- O que?! Não oferece perigo! - Ele se levantou - Tonks, não seja
assim, é por esse tipo de coisa que Dumbledore...
- Dumbledore não tem nada a ver com isso! - A visão do corpo dele
estava acabando com ela. Agarrou a calça dele. - E vista-se, já que
está com tanta pressa! Talvez alguém apareça querendo me atacar e
você precisa estar decente para me defender.
Ele olhava para ela incrédulo. Ela não entendia, não fazia a menor
noção do risco que corria se ficasse com ele, do perigo. McKinnon.
Vestiu a calça tentando encontrar o que dizer no silêncio
constrangedor que se seguiu. Ela pegou a varinha e abriu a porta, sem
sair.
- Espero que não tenha se arrependido de verdade, por que foi
realmente a melhor coisa que já aconteceu aqui.
N/A. Capitulo dois um pouco mais comprido, e um pouco menos parado :)
Obrigada a quem está lendo e por favor, comentem!
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