Espero que gostem :)
Capitulo I
Remo abriu os olhos devagar, sentindo a claridade da janela atingir
suas retinas, e permaneceu deitado por alguns minutos enquanto se
localizava, como fazia todas as manhãs. As constantes missões que
Dumbledore lhe dava faziam com que ele fosse obrigado a dormir cada
noite em um lugar diferente, o que era - de longe - o menor de seus
problemas.
A guerra continuava e recrutar lobisomens para a causa da Ordem da
Fênix se tornava mais e mais impossível a cada dia. Seus iguais eram
pouco a pouco convencidos pelos Comensais da Morte de que a
supremacia bruxa era a melhor coisa que poderia acontecer e que ele,
lobisomens, seriam os oficiais do exército bruxo em criação dentro
dos QG's de Lord Voldemort.
Com essa perspectiva, Remo levantou-se e suspirou. Afinal, não
pudera fazer muita coisa para a Ordem dessa vez. De novo.
Suas coisas estavam em uma cadeira desgastada num canto do quartinho de madeira que invadira na noite anterior, e não eram lá muita coisa: um par de tênis sujos, um sobretudo preto puído, um gorro de lã e um suéter com um lobo tricotado no peito, presentes que ganhara de Molly Weasley no último natal. Vestiu suas roupas e saiu do quartinho, depois de se certificar de que não havia ninguém esperando por ele do lado de fora. E aparatou.
Suas coisas estavam em uma cadeira desgastada num canto do quartinho de madeira que invadira na noite anterior, e não eram lá muita coisa: um par de tênis sujos, um sobretudo preto puído, um gorro de lã e um suéter com um lobo tricotado no peito, presentes que ganhara de Molly Weasley no último natal. Vestiu suas roupas e saiu do quartinho, depois de se certificar de que não havia ninguém esperando por ele do lado de fora. E aparatou.
A porta pesada rangeu quando ele empurrou-a lentamente, em alerta.
Ouviu passos e ergueu os olhos juntamente com a varinha enquanto um
homem alto encarava-o com a varinha igualmente preparada.
- Pontas sempre diz besteiras, Aluado vive sonhando.
- Almofadinhas fede e Rabicho é um traidor.
O homem abaixou a varinha e se permitiu um sorriso.
- Essa é a ultima versão, mas ultimamente é mais verdadeira do que
a primeira. - disse adiantando-se para abraçar Remo. O maroto
retribuiu o abraço com uma risada cansada.
- Rabicho nunca guardou nossos segredos direito. Não sei por que
James insistiu em colocarmos isso na senha.
Sirius Black deu de ombros e sentou-se em uma das cadeiras de
espaldar alto, conjurando duas garrafas de cerveja amanteigada.
- Nunca entendi também, mas imagino que Pontas quisesse elevar um
pouco a autoestima do nosso querido ratinho.
Remo sentou-se e tomou um gole de cerveja, sentindo seu corpo
reclamar por uma noite de sono decente. Um torpor começou a
espalhar-se a partir de seus dedos e ele pensou como seria difícil
levantar-se daquela cadeira e subir as escadas até o quarto. Sirius
pareceu ler seus pensamentos.
- Fizemos uma arrumação nas acomodações - começou num tom leve -
Temos visita por uns dias.
Antes que Remo pudesse pensar em perguntar quem era o visitante, algo
muito pesado desceu as escadas rolando, fazendo com que a Sra Black
acordasse em seu quadro e começasse a gritar.
- TRAIDORES DO SANGUE! MESTIÇOS! ABERRAÇÕES! RALÉ! DEIXEM A CASA
DOS MEUS PAIS! SANGUE RUINS!
Sirius calou-a com um gesto quase displicente da varinha e uma moça
muito envergonhada apareceu na ponta da escada. Seus cabelos eram
verde-limão e destoavam de um modo bizarro das roupas sóbrias que
ela usava, a não ser por um par de luvas sem dedo azuis-turquesa.
Seu rosto em forma de coração era iluminado por dois olhos
castanhos que se fixaram em Remo, analisando desde seu cabelo até o
sapato velho que usava.
- Essa é minha prima, Ninfadora Tonks.
-----------
Tonks xingou baixinho a chaleira e apertou a mão queimada. Agarrou
um pedaço das vestes e levou a chaleira para a mesa sob o olhar
atento de Remo.
- Sabe... você é uma bruxa. Podia ter usado sua magia ao invés de
queimar a mão.
Ela olhou para ele e reparou o leve sorriso de troça que havia
naqueles lábios. Custaram-lhe alguns segundos para controlar seus
batimentos cardíacos, antes que pudesse responder á altura.
- Sabe, nem sempre a magia é a solução. Meu pai é trouxa e ele se
vira muito bem.
Remo levantou as mãos como quem se dá por vencido e pegou a xícara
que Tonks lhe estendia. Já faziam seis meses que a moça estava na
Ordem da Fênix e essa era a terceira missão deles, nos arredores de
uma fazenda trouxa. Remo insistira para que se abrigassem numa
casinha abandonada, mas ela o convencera a enganar os donos da
fazenda e pedir abrigo ao
invés de correr o risco de serem pegos de surpresa.
O bruxo ainda tentava entender como
fora capaz de agir tão naturalmente depois de Tonks apresentá-los
como um casal de viajantes, que havia saído demais da trilha e
precisa de uma estadia por uma noite, apenas para que pudesse pegar a
trilha novamente na manhã seguinte. Casal. Eles eram um casal.
- Ainda vamos procurar o rastro
deles? Acha que ainda estarão visíveis amanha? - ela tentou uma
conversa com ele, coisa que era muito difícil.
Remo suspirou e tomou um gole de chá
antes de responder hesitante.
- Acho que sim. Rastro de lobisomem
não desaparece tão rápido... para quem sabe como seguir um deles.
Tonks concordou, querendo conversar
mais, mas sua convivência com Remo já provara que quando ele
começava a falar naquele tom de voz... Bom, melhor deixar pra lá.
Ela pousou a xícara e suspirou, cansada da missão e daquela
situação. Ele levantou-se anunciou que ia dormir. Tonks concordou e
ficou por ali mais alguns minutos até ter coragem de se dirigir para
o quarto.
Tinham se apresentado como um casal,
então os donos da fazenda disponibilizaram uma cama de casal,
obviamente. Por ela, dormiriam juntos sem problemas, e quem sabe isso
pudesse aquecer um pouco do que acontecia entre ela e Remo. Mas ele
foi categórico e conjurou um colchão de acampamento e dormiu no
chão, do outro lado do quarto, deixando-a sozinha na cama grande.
A noite estava fresca e uma brisa
entrava pela janela semi-aberta, as estrelas brilhavam mais forte
agora que a lua cheia tinha passado. Tonks observava as constelações
através do vidro sujo sem conseguir dormir, pensando e ouvindo a
respiração de Remo.
Seis meses antes, ela era uma auror
recém formada que entrara para a Ordem da Fênix sob a vigilância de
Olho Tonto, para juntar-se ás forças de Dumbledore contra os
Comensais da Morte. A primeira orientação que recebeu de Olho Tonto
foi para evitar maiores contatos com os demais membros para "evitar
sentimentalismo em funerais." Vindo de Moody era um conselho
muito compreensível... Mas logo de cara quebrara essa regra ao
encontrar os olhos triste do veterano Remo Lupin. Tonks sorriu ao
lembrar-se de quando o viu pela primeira vez e se perguntou como
alguém podia ser tão elegante em trajes tão pobres.
Um lobo uivou do lado de fora e ela
estremeceu sob as cobertas, perdida em pensamento. Não viu de onde veio
o ataque. Num instante estava quase adormecida e no seguinte raios
luminosos explodiam a casa, incendiando os móveis. Ela agarrou a
varinha e correu para fora, defendendo-se e atacando sem pensar
exatamente no que estava acontecendo.
Sentiu as costas de Remos contra as
suas enquanto eliminavam, uma a uma, as figuras encapuzadas que
disparavam raios verdes contra eles. Eles atacam para
matar, pensou Tonks explodindo
uma das figuras mais altas. Ouviu um grito de dor e num momento de
distração virou-se para procurar seu dono. Pagou por isso quando um
lampejo laranja abriu um pedaço de seu braço, numa explosão
vermelha.
Nunca sentira tanta raiva dentro de
si e atacou sem hesitar, qualquer um que se movesse receberia uma
maldição por terem ferido Remo. Só parou quando teve seu feitiço
bloqueado pelo homem de cabelo castanhos. Ela parou para olhá-lo,
sentindo cheio de sangue, terra e tecido queimado inundar o lugar.
Remo balançou a cabeça e adiantou-se para ela a tempo de impedir
que caisse no chão.
O mundo ficou preto.
O mundo ficou preto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário