domingo, 13 de julho de 2014

Capitulo II

 N/A: Músicas que me ajudaram: Same Mistakes (James Blunt), Goodnight, goodnight (Maroon 5).
N/A²: Contém NC




Tonks abriu os olhos e rapidamente fechou-os de novo com um gemido. Sua cabeça doía desesperadamente, algo pesado pressionava suas costelas e com certeza havia algo errado com seu braço. Tentou sentar, sem sucesso, voltando a deitar enquanto o mundo girava. Ouviu passos e logo a figura de Molly Weasley entrou em seu campo de visão. A senhora trazia uma xícara e uma expressão preocupada no rosto redondo.
- Oh Tonks, querida, como se sente? Tive que dar um jeito nas suas costelas, mas imagino que ainda vão doer por alguns dias. Aqui, tome. - Ela lhe ajudou a tomar o conteúdo da xícara. Era amargo e estranhamente gelado. Tonks tremeu.
- O que... Remo... onde...
- Calma, calma. - Molly sacudiu levemente a xícara para dissolver o que ficara no fundo - Remo está com Sirius e Dumbledore na cozinha, parece que algo deu errado não?
Tonks tentou se lembrar dos detalhes, mas tudo era uma confusão de cores flamejantes e dor.
- Sim, alguém sabia que estávamos ali... Fomos surpreendidos...
Molly comprimiu os lábios.
- É, foi o que eu ouvi também. - a bruxa tornou a oferecer a xícara - Vamos, termine sua poção e descanse, não há nada a fazer agora.
Antes que a mulher pudesse se levantar, Tonks segurou sua mão.
- Molly... tem certeza que Remo está bem... Eu ouvi um grito.
A ruiva olhou-a com docura.
- Sim querida, tenho certeza.
Tonks assentiu e deixou que a poção fizesse seu efeito, sentido uma dormência se espalhar por seu corpo a partir das costelas. Lentamente começou a compreender os fatos da noite anterior. Foram surpreendidos por Comensais da Morte, o grito que ouvira não era de Remus... Ela foi atingida por algum tipo de feitiço que quebrou suas costelas e fez alguma coisa com sua cabeça. Devo ter machucado o braço quando caí, pensou antes de imergir num sono sem sonos.






Remo sentou-se ao lado de Tonks, observando-a enquanto ela estava dormindo sob o efeito da poção que Molly fizera. Por um momento, em meio a tantos feitiços, chegara a pensar que ela estava perdida para ele; até sentir sua respiração fraca. Nunca se agarrara com tanta força a algo tão frágil como naquela noite, nem entendia por que se importava tanto com Tonks.
Claro que gostava dela, afinal era sua parceira de missões, integrante da Ordem, um bruxa fantástica e ainda tinha aqueles olhos que... Ele fechou os olhos por um momento. Como? Estava mesmo pensando nisso? Lembrou-se da ultima vez que se apaixonara e suspirou. Não, não podia deixar acontecer de novo, Tonks não podia ter o mesmo final que McKinnon...
A moça abriu os olhos lentamente e olhou para ele. Um sorriso espalhou-se por seu rosto, fazendo com que o coração de Remo falhasse uma batida e algo quente surgisse dentro dele. Ela se sentou com dificuldade, recostada nos travesseiros.
- Remo... Você... está bem? - ela tinha dificuldade para falar e Remo imaginou que devia ser por conta das costelas fraturadas.
- Estou ótimo. Você é a doente por aqui.
Ela ensaiou uma risada que a dor logo transformou em uma careta.
- Eu ouvi um grito, pensei que fosse seu. - Tonks fechou os olhos - Fui te ajudar e então tudo apagou.
Remo assentiu.
- Dolohov acertou minha perna de raspão. - Ele mostrou um corte quase cicatrizado na panturrilha - Não devia ter se distraído, era um ataque e pessoas gritam em ataque.
Tonks torceu o nariz.
- Não foi apenas um grito, foi o seu grito que me distraíu. - Ela tentou arrumar-se nas almofadas e o braço machucado lembrou-a de sua existência - Quando foi que eu machuquei o braço?!
- Algum feitiço de corte. Molly colocou um pouco de ditamno e enfaixou para que você não ficasse olhando demais para o machucado. - Remo sorriu para a bondade da bruxa.
Tonks ficou em silêncio por um momento.
- O que Dumbledore disse? O que aconteceu com o pessoal da fazenda? Eles foram tão bons com a gente, espero que não tenham se machucado.
- Um esquadrão já foi até lá e apagou a memória deles, a casa foi reconstruída como se nunca ninguém tivesse se hospedado lá.
Ela assentiu com o coração mais leve. Sentiu o olhar de Remo sobre si e olhou para ele, hesitante. A proximidade dele só fazia com que respirar fosse mais dificil, suas costelas doíam ao encarar os olhos dele. Olheiras eram a marca registrada do homem, junto com seus cabelos castanhos com alguns fios brancos e marcas de expressão ao redor da boca e na testa. Era um homem bonito ainda, com um tipo de charme que não chamava tanto a atenção quando o de Sirius, mas ainda assim atraente de algum modo.
- Dumbledore quer que você fique uns dias sem se arriscar, precisa melhorar antes de partir para outra missão. - continuou Remo - E também acha prudente que suas proximas missões sejam menos... de campo.
Aquilo despertou-a de seu torpor.
- Como assim?! Ele quer que eu ajude Molly na cozinha?!
- Não foi isso que eu disse.
- Não precisa, eu entendi exatamente o que você disse. - Ela estava novamente furiosa - Qual foi o motivo? Por acaso ser ferida em missão agora significa que sou incompetente? Então mandem Moody embora por que ele tem mais cicatrizes do que todos nós juntos.
- Ninfadora...
- NÃO me chame de Ninfadora! - Ela gritou com ele. O esforço fez com que levasse uma das mãos ás costelas, claramente com dor. - Eu vou sair em missões, queira Dumbledore ou não, por que foi para isso que eu me dediquei durante três anos da minha vida, sem contar os anos de Hogwarts.
Remo olhou-a, cansado. Os cabelos vermelhos dela eram mais uma forma de reforçar a raiva que ardia dentro de Tonks. Intimamente, ele concordava com Dumbledore: ela não podia se arriscar enquanto estivesse debilitada e não seria prudente que continuasse em missões com ele. Em parte por que lidar com lobisomens requeria um bruxo com mais experiência e em parte por que, bem, era melhor manter uma distância saudável entre eles.
- Só estou passando o recado de Dumbledore. - respondeu o homem pegando uma xícara no chão - E Molly disse para tomar mais uma dessas quando acordasse.
- Não vou tomar nada. Vocês estão me apagando para tomar decisões sobre mim sem me consultar. - Ela olhou feio para ele. - E eu sei que você concorda com Dumbledore, acha melhor eu ficar com Kingsley, assim ele pode me proteger. E quer ficar longe de mim também.
A supresa de Remo não passou tão despercebida quanto gostaria.
- É, eu sei disso também. - Ela o encarava - Não quer ficar perto de mim por que Remo?
Ele olhou para ela sem saber o que dizer ou fazer. Teria sido tão óbvio assim?
- Não sei de onde tirou essa idéia, Tonks - ele se levantou - Tome sua poção ou Molly vai me azarar.
- Vai fugir de novo, Remo? - Ela já não olhava para ele. - Quando vai parar de fingir que não há nada acontecendo?
Ele hesitou na porta, sem coragem para olhar de novo para ela, por que se fizesse isso...
- Não sei do que você está falando - murmurou antes de sair apressado.
Tonks fechou os olhos, lutando contra a vontade de gritar.

Os dias se arrastaram na velha casa dos Black. O jantar geralmente recebia visitantes da Ordem da Fênix e era assim que Tonks ficava sabendo do que acontecia no mundo bruxo. Certa vez Severo Snape perguntou por que ela insistia em ficar na casa que apenas reforçava a decadência da familia da sua mãe.
- Não vou colocar meus pais em risco, Severo. - respondeu simplesmente, segurando a manga das vestes de Sirius para impedi-lo de avançar no velho inimigo.
A verdade era que apenas na Ordem ela podia realmente saber as verdades sobre as missoes que nao estava participando e ver Remus com mais frequencia. Certo dia, quando suas costelas ja estavam quase perfeitas, ela estava literalmente bisbilhotando por um quarto cheio d obras de arte quando foi supreendida por ele, fazendo com que quase derrubasse um vaso de ceramica aparentemente muito antigo.
- Pelas barbas de Merlin, Remo! - exclamou paralizada - Podia se anunciar, ao menos? Quase eu infarto...
- Desculpe, pensei que tivesse ouvido o que eu estava falando.
Ela olhou para ele.
- Você estava falando?
Ele assentiu. Tonks sentiu-se idiota.
- Bom, eu... não ouvi.
Remus riu pelo nariz e foi até ela com as mãos nos bolsos, deixando que a porta se fechasse sozinha. Pegou o vaso e colocou-o de volta no lugar, roçando levente seus dedos nas mãos de Tonks.
- Os Black eram amantes das artes, apesar de tudo. Acredito que esse amor tenha sido mais forte do que o claro preconceito com os trouxas. - Disse Remo indicando alguns quadros estáticos.
- Na verdade, todas essas obras foram compradas pelo tio Afardo. - Remo levantou as sobrancelhas. - Sirius me contou dessa sala, então eu saí para procurar.
Ele assentiu, observando os quadros. O quarto ainda abrigava uma grande escrivaninha de canto, sua cadeira e um armário antigo de mogno com detalhes dourados. A tensão era demais para Tonks suportar, e então teve que fazer a unica coisa que poderia aliviar a atmosfera pesada da sala. Aproximou-se de Remo, tocando seu ombro para que ele olhasse para ela. E o beijou.
O que aconteceu em seguida nenhum dos dois poderia ter adivinhado e se alguém lhes tivesse dito, não acreditariam.
Remo puxou-a para si com um gemido abafado que fez o corpo de Tonks se arrepiar até onde ela nunca teria imaginado, beijando-a com um desejo que tinha guardado para si durante meses. Suas mãos frias entraram por debaixo da camiseta trouxa que ela usava para encontrarem uma pele em brasa, levando a moça a um estado de quase inconsciência. Ela gemeu quando ele apertou um de seus seios e puxou os cabelos dele exigindo mais e mais contato.
O tempo já não existia e no momento seguinte ele estava dentro dela contra a escrivaninha velha, erguendo-a alguns centimetros a cada estocada. As costas de Remo mostravam linhas por onde as unhas de Tonks tinham passado e as pernas dela mostravam pequenos lagos vermelhos onde ele tinha afundado os dedos. Ele nunca tinha se sentido tão vivo em anos, o corpo dela lhe tirou toda a razão, o gosto de sua pele, o calor que ela emanava, tudo parecia contaminar Remo. Um tipo de contaminação que não tinha mais volta, estava infectado. O chão veio até eles em algum momento.
Assim como começou, tudo terminou em gemidos, calor e arquejos. Tonks abraçou Remo como se temesse que ele fosse desaparecer como fumaça. Ele deslizou as mãos pelas costas dela, respirando com dificuldade, sua consciencia retornando aos poucos. Percebeu onde estavam e como estavam: Tonks sobre ele, no chão coalhado de poeira e papel rasgado, seu suor misturado ao dele, seus cabelos ondulados e castanhos caindo espalhados sobre seu peito.
- Seu cabelo é castanho? - perguntou Remo brincando com uma mecha dela.
- Minha mãe diz que essa era a cor que tinha, antes que começasse a mudar - Ela respondeu sem se mexer. - não gosto muito, é tão...
- Eu gosto.
Tonks olhou para ele embevecida. Os olhos de Remo tinham um brilho que ela nunca tinha visto, uma calma e entrega que nunca poderia imagina que existisse ali. Sorriu para ele antes de beijá-lo com calma, temerosa de estragar aquele momento. Ele sorriu e passou a mão pelo rosto dela, hipnotizado. O cheiro de carne assada despertou seus sentidos adormecidos.
- Molly deve estar nos procurando. O almoço está servido a algum tempo já.
- Como você sabe?
- Eu vim te chamar para almoçar, antes de ser atacado.
Ela riu abertamente, abraçando-o mais. Sentiu que ele suspirava e fechou os olhos, tentando guardar o máximo que podia. O cheiro dele, o gosto de seu beijo, o modo como tinha retirado as roupas dela, o fogo dentro de seus olhos. As mãos dele sairam de suas costas e pressionaram levente seus ombros. Tonks lutou contra as lagrimas. Teria tempo para se lamentar depois.
- Tonks... precisamos ir...
- Não precisamos, mas você quer. Então vamos. - disse Tonks sentando-se e apanhando o soutien do chão.
- Tonks, você... você sabe que não pode ser. Sabe que é perigoso, eu não devia.. nós não deviamos...
- Remo, me ouça com muita atenção. - Ela vestiu o jeans que apontou o dedo para ele. - Você está colocando obstáculos onde não existe nenhum, você está destruindo a melhor coisa que já aconteceu entre nós, por que você tem medo de algo que não oferece perigo.
- O que?! Não oferece perigo! - Ele se levantou - Tonks, não seja assim, é por esse tipo de coisa que Dumbledore...
- Dumbledore não tem nada a ver com isso! - A visão do corpo dele estava acabando com ela. Agarrou a calça dele. - E vista-se, já que está com tanta pressa! Talvez alguém apareça querendo me atacar e você precisa estar decente para me defender.
Ele olhava para ela incrédulo. Ela não entendia, não fazia a menor noção do risco que corria se ficasse com ele, do perigo. McKinnon. Vestiu a calça tentando encontrar o que dizer no silêncio constrangedor que se seguiu. Ela pegou a varinha e abriu a porta, sem sair.
- Espero que não tenha se arrependido de verdade, por que foi realmente a melhor coisa que já aconteceu aqui.











N/A. Capitulo dois um pouco mais comprido, e um pouco menos parado :) Obrigada a quem está lendo e por favor, comentem!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Capitulo 1

N.A: Essa é uma fanfiction inspirada no universo de Harry Potter. Seu casal principal é Remo Lupin e Ninfadora Tonks, acontece durante a II Guerra Bruxa, mais especificamente durante o 5º/6º ano de Harry em Hogwarts. Foi inspirada nas musicas: Fix you (Offspring), Tomorrow (Chris Young), When it rains (Paramore) e outras. É uma historia adulta com cenas de violência, morte e sexo. Estejam avisados.
 Espero que gostem :)





Capitulo I

 Remo abriu os olhos devagar, sentindo a claridade da janela atingir suas retinas, e permaneceu deitado por alguns minutos enquanto se localizava, como fazia todas as manhãs. As constantes missões que Dumbledore lhe dava faziam com que ele fosse obrigado a dormir cada noite em um lugar diferente, o que era - de longe - o menor de seus problemas.
A guerra continuava e recrutar lobisomens para a causa da Ordem da Fênix se tornava mais e mais impossível a cada dia. Seus iguais eram pouco a pouco convencidos pelos Comensais da Morte de que a supremacia bruxa era a melhor coisa que poderia acontecer e que ele, lobisomens, seriam os oficiais do exército bruxo em criação dentro dos QG's de Lord Voldemort.
Com essa perspectiva, Remo levantou-se e suspirou. Afinal, não pudera fazer muita coisa para a Ordem dessa vez. De novo.
Suas coisas estavam em uma cadeira desgastada num canto do quartinho de madeira que invadira na noite anterior, e não eram lá muita coisa: um par de tênis sujos, um sobretudo preto puído, um gorro de lã e um suéter com um lobo tricotado no peito, presentes que ganhara de Molly Weasley no último natal. Vestiu suas roupas e saiu do quartinho, depois de se certificar de que não havia ninguém esperando por ele do lado de fora. E aparatou.

A porta pesada rangeu quando ele empurrou-a lentamente, em alerta. Ouviu passos e ergueu os olhos juntamente com a varinha enquanto um homem alto encarava-o com a varinha igualmente preparada.
- Pontas sempre diz besteiras, Aluado vive sonhando.
- Almofadinhas fede e Rabicho é um traidor.
O homem abaixou a varinha e se permitiu um sorriso.
- Essa é a ultima versão, mas ultimamente é mais verdadeira do que a primeira. - disse adiantando-se para abraçar Remo. O maroto retribuiu o abraço com uma risada cansada.
- Rabicho nunca guardou nossos segredos direito. Não sei por que James insistiu em colocarmos isso na senha.
Sirius Black deu de ombros e sentou-se em uma das cadeiras de espaldar alto, conjurando duas garrafas de cerveja amanteigada.
- Nunca entendi também, mas imagino que Pontas quisesse elevar um pouco a autoestima do nosso querido ratinho.
Remo sentou-se e tomou um gole de cerveja, sentindo seu corpo reclamar por uma noite de sono decente. Um torpor começou a espalhar-se a partir de seus dedos e ele pensou como seria difícil levantar-se daquela cadeira e subir as escadas até o quarto. Sirius pareceu ler seus pensamentos.
- Fizemos uma arrumação nas acomodações - começou num tom leve - Temos visita por uns dias.
Antes que Remo pudesse pensar em perguntar quem era o visitante, algo muito pesado desceu as escadas rolando, fazendo com que a Sra Black acordasse em seu quadro e começasse a gritar.
- TRAIDORES DO SANGUE! MESTIÇOS! ABERRAÇÕES! RALÉ! DEIXEM A CASA DOS MEUS PAIS! SANGUE RUINS!
Sirius calou-a com um gesto quase displicente da varinha e uma moça muito envergonhada apareceu na ponta da escada. Seus cabelos eram verde-limão e destoavam de um modo bizarro das roupas sóbrias que ela usava, a não ser por um par de luvas sem dedo azuis-turquesa. Seu rosto em forma de coração era iluminado por dois olhos castanhos que se fixaram em Remo, analisando desde seu cabelo até o sapato velho que usava.
- Essa é minha prima, Ninfadora Tonks.



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Tonks xingou baixinho a chaleira e apertou a mão queimada. Agarrou um pedaço das vestes e levou a chaleira para a mesa sob o olhar atento de Remo.
- Sabe... você é uma bruxa. Podia ter usado sua magia ao invés de queimar a mão.
Ela olhou para ele e reparou o leve sorriso de troça que havia naqueles lábios. Custaram-lhe alguns segundos para controlar seus batimentos cardíacos, antes que pudesse responder á altura.
- Sabe, nem sempre a magia é a solução. Meu pai é trouxa e ele se vira muito bem.
Remo levantou as mãos como quem se dá por vencido e pegou a xícara que Tonks lhe estendia. Já faziam seis meses que a moça estava na Ordem da Fênix e essa era a terceira missão deles, nos arredores de uma fazenda trouxa. Remo insistira para que se abrigassem numa casinha abandonada, mas ela o convencera a enganar os donos da fazenda e pedir abrigo ao invés de correr o risco de serem pegos de surpresa.
O bruxo ainda tentava entender como fora capaz de agir tão naturalmente depois de Tonks apresentá-los como um casal de viajantes, que havia saído demais da trilha e precisa de uma estadia por uma noite, apenas para que pudesse pegar a trilha novamente na manhã seguinte. Casal. Eles eram um casal.
- Ainda vamos procurar o rastro deles? Acha que ainda estarão visíveis amanha? - ela tentou uma conversa com ele, coisa que era muito difícil.
Remo suspirou e tomou um gole de chá antes de responder hesitante.
- Acho que sim. Rastro de lobisomem não desaparece tão rápido... para quem sabe como seguir um deles.
Tonks concordou, querendo conversar mais, mas sua convivência com Remo já provara que quando ele começava a falar naquele tom de voz... Bom, melhor deixar pra lá. Ela pousou a xícara e suspirou, cansada da missão e daquela situação. Ele levantou-se anunciou que ia dormir. Tonks concordou e ficou por ali mais alguns minutos até ter coragem de se dirigir para o quarto.
Tinham se apresentado como um casal, então os donos da fazenda disponibilizaram uma cama de casal, obviamente. Por ela, dormiriam juntos sem problemas, e quem sabe isso pudesse aquecer um pouco do que acontecia entre ela e Remo. Mas ele foi categórico e conjurou um colchão de acampamento e dormiu no chão, do outro lado do quarto, deixando-a sozinha na cama grande.
A noite estava fresca e uma brisa entrava pela janela semi-aberta, as estrelas brilhavam mais forte agora que a lua cheia tinha passado. Tonks observava as constelações através do vidro sujo sem conseguir dormir, pensando e ouvindo a respiração de Remo.
Seis meses antes, ela era uma auror recém formada que entrara para a Ordem da Fênix sob a vigilância de Olho Tonto, para juntar-se ás forças de Dumbledore contra os Comensais da Morte. A primeira orientação que recebeu de Olho Tonto foi para evitar maiores contatos com os demais membros para "evitar sentimentalismo em funerais." Vindo de Moody era um conselho muito compreensível... Mas logo de cara quebrara essa regra ao encontrar os olhos triste do veterano Remo Lupin. Tonks sorriu ao lembrar-se de quando o viu pela primeira vez e se perguntou como alguém podia ser tão elegante em trajes tão pobres.
Um lobo uivou do lado de fora e ela estremeceu sob as cobertas, perdida em pensamento. Não viu de onde veio o ataque. Num instante estava quase adormecida e no seguinte raios luminosos explodiam a casa, incendiando os móveis. Ela agarrou a varinha e correu para fora, defendendo-se e atacando sem pensar exatamente no que estava acontecendo.
Sentiu as costas de Remos contra as suas enquanto eliminavam, uma a uma, as figuras encapuzadas que disparavam raios verdes contra eles. Eles atacam para matar, pensou Tonks explodindo uma das figuras mais altas. Ouviu um grito de dor e num momento de distração virou-se para procurar seu dono. Pagou por isso quando um lampejo laranja abriu um pedaço de seu braço, numa explosão vermelha.
Nunca sentira tanta raiva dentro de si e atacou sem hesitar, qualquer um que se movesse receberia uma maldição por terem ferido Remo. Só parou quando teve seu feitiço bloqueado pelo homem de cabelo castanhos. Ela parou para olhá-lo, sentindo cheio de sangue, terra e tecido queimado inundar o lugar. Remo balançou a cabeça e adiantou-se para ela a tempo de impedir que caisse no chão.
O mundo ficou preto.